Arquivo para a Uncategorized categoria

Sorri

Posted in Uncategorized on Outubro 17, 2009 by isisdesigner

quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doloridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin

Um paradoxo não é só um recurso estético afinal, ele existe de verdade. Podemos nos sentir tristes e felizes ao mesmo tempo. Eu agradeço por ter encontrado aquilo que no subconsciente eu deveria saber que precisava. Uma conversa que meus amigos não poderiam me dar com essa franqueza, com a verdade que eles desconheceriam ou diriam a mim cheios de eufemismos. Não sei se foi essa a sua intenção, se foi seu jeito ou a imparcialidade com que se fala a um quase desconhecido. Seja lá o que for, agradeço incomensuravelmente mesmo assim.  

De uns tempos pra cá vivo desmitificando minhas intenções, revelando a mim mesma o que verdadeiramente está por dentro. Mas há assim situações tão complexas que uma bruma cobre meus olhos e não tenho forças para ir de encontro àquilo que meu coração se rejeita e se defende. Que tragédia é saber que você está tentando se enganar para sofrer menos. Melhor seria encarar tudo de uma vez, reconhecer as coisas como são, dar a cara a tapa(num conflito entre eu e eu), e depois da ressaca o mar voltar a ser calmo. Com uma cor diferente, talvez um verde-escuro, mas depois de dias cinzentos sempre aguardamos o dia em que o sol vai voltar.

Mas essa verdade que talvez ferisse meu orgulho e minha tentativa de me privar de sofrimento não foi assim tão dolorosa. Trouxe  tranqüilidade. Fez eu esquecer de coisas ruins que poderia ter feito a outras pessoas. Lavou meus olhos de que a realidade, apesar de seca e dessaborosa pode ser mais calma e menos traumática na relação eu e os outros. Me sinto apática, mas uma indiferença de um dia nublado. Sem arco-íris, mas também sem trovões. Só de me deparar com a verdade já me sinto menos agitada. E menos assassina.

O que vem agora eu não sei. Mas me sinto num hiato.

Desistir de um sonho

Posted in Uncategorized on Outubro 16, 2009 by isisdesigner

me faz matar um pedaço de mim.
Flávio Wetten

Hoje tive que escrever uma redação sobre a minha concepção de felicidade. Foi fria e ilógica, nada é perfeito.  

Acho que somos mesmo uma tábula rasa, mas vou utilizar uma metáfora mais confortável: uma pedra bruta. Esculpidos ou lascados com as quedas somos o que somos, uma obra modificada continuamente por agentes externos. E o que criamos em nós? Aquilo que abraçamos como certo e usamos como colunas de nossos ideais? É a liberdade de acreditar no que você quiser. Góticas, barrocas ou gregas, seja lá o que for é aquilo que escolheu.

Ao amar minhas escolhas dei início ao funeral dos sonhos que nasceram delas. Já imaginaram acreditar em coisas extremamente inalcançáveis? É criar um órgão doente. Um dia ele morre, e você tem que substituir por outro. Será como antes? Ele vai sofrer rejeição? Dá pra comer no prato que se cuspiu? Afirmar que se é irrevogavelmente contra alguma coisa é pedir para que lhe mostrem que nem tudo é como imaginávamos que seria. Nunca fui dura. Só comigo mesma. Mas não aceitava para os outros certas coisas pois acreditava que havia possibilidade de ser diferente. Não há. Não quero que me digam o contrário, como eu já fiz um dia, não quero que me provem nem mostrem estudos nem nada. Eu não quero saber de nada, não quero pensar em mais nada. E assim se fecham os olhos, e assim cerra a imaginação, e assim se afogam as palavras, e assim dou o ponto final. Mas de tanto se por para dentro, um dia as palavras talvez voltem como vômito, independente da sua vontade, trazendo desconforto e desespero que parecem não ter fim, até que você se sinta aliviado… ou não.

Mataram um pedaço de mim. Era uma linda parte, mas muito besta. Era uma coisa que me trazia felicidade como o cheiro de uma caixa de lápis-de-cor ou a sensação de se cortar um pedaço de cartolina com uma tesoura. Era algo que fazia eu me sentir especial, como se os meus olhos vissem o que a maioria ignorava. Mataram em mim uma espécie de esperança, algo bobo que fazia eu permanecer em pé sem que eu notasse. Agora percebi que isso me faz falta. Não ligava que fosse boba, eu gostava dela. Mas devemos apesar de, disse Clarice.

Há alguém que quando está perto me faz esquecer dessa parte perdida, como uma droga anestesiante. Mas quando ele se afasta a dor volta. Enquanto não se preencher esse buraco vivo assim, não só viciada como melancolicamente necessitada de sua presença. Que não se fatigue nesse meu momento de fraqueza, porque passada a recuperação prometo voltar ao meu vício controlado. Tolere minha dependência solitária só enquanto me recobro…    

Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.

If your right hand is causing you pain,

Posted in Uncategorized on Setembro 13, 2009 by isisdesigner

Cut it off, cut it off.
Flux, Bloc Party 

Quero um scarpin rosa, uma saia de cintura alta preta, uma legging preta metálica, The Fame e minha tinta rosa. É assim que as coisas funcionam, não? Se ninguém se lixa, porque eu deveria me importar?

Quem precisa viver num lugar em que o custo de vida é alto? Se for pra pagar a conta de luz com o dinheiro da conta de água, então vou viver na França. Ou me tornar figurante de fundo verde em clipe do Hot Chip. Dane-se, eu não quero mais isso. O primeiro que disser frases de consolo terá morte súbita. (“isis castiga”)

É um dia com sol e céu azul para 6 dias e meio de cárcere, dos piores, espiritual. Porque mesmo quando você se dá ao luxo de desfrutar do seu horário de almoço sem um livro embaixo do braço, sempre tem um miserável estudando na mesa ao lado, ou dentro da sua cabeça. Preciso estudar mais, não quero, não dá. Nos primeiros meses era aquela frescurinha de enrolar depois do ônibus das 18h, ainda dava pra fazer uma liçãozinha ou adiantar alguma coisa. Agora tudo beira à fatiga física, produzo tanto quanto… nada.

Puxei de volta umas lágrimas. Não por não ter conseguido, não por achar difícil, não por querer ser a melhor(não quero nem perto), não por tudo isso, é só por querer nunca ter tocado nisso.  

Enganaram-me o tempo todo, tenho 1,65m. Quero voltar a ser grande.

she is marvelous

[ Ouvindo: Peter, Bjorn & John ~ Young Folks ]

And we don’t care about the young folks
Talkin’ ’bout the young style
And we don’t care about the old folks
Talkin’ ’bout the old style too
And we don’t care about their own faults
Talkin’ ’bout our own style
All we care ’bout is talking
Talking only me and you

Não me corrija.

Posted in Uncategorized on Agosto 19, 2009 by isisdesigner

A pontuação é a respiração da frase, e minha frase respira assim. E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar.
Clarice Lispector

Cada dia é uma vírgula que imponho no meu andar sôfrego, tropeça em si. Não sei se quero ver a frente ou no que piso, se quero que passe ou que fique, que esfrie ou que aqueça. É uma tragédia o que se impõe, ter de escolher entre dois momentos distintos… O tempo é mesmo uma coisa traiçoeira: queremos que acelere sem se perder, e que chegue. O melhor mesmo é que nossos pedidos não sejam atendidos e o tempo demore o tempo que seja.

Café me deixa depressiva. Às vezes queremos nos forçar a transpirar palavras que não exalamos, quando o mais espontâneo que podemos fazer é admitir a falta de inspiração (importante que, à medida que escrevo, me contradigo).

( Quando você descobre que quer passar o resto da sua vida com alguém, você quer que o resto da sua vida comece o mais rápido possível. )

 

Pseudo-post (aquele que pensa mas não foi) criado especialmente para uma tarefa ;*

girl in the sky

É tão difícil falar e dizer coisas

Posted in Uncategorized on Agosto 14, 2009 by isisdesigner

que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade.
Clarice Lispector

Sou de extremos. Quando comecei nova a pintar as unhas, era sempre branco branco branco. O tempo passou e sou vermelho rosa vermelho rosa, cabelo rosa roxo rosa vermelho azul. Aonde fica o caminho do meio budista? Sou uma bêbeda passeando na retidão da vida.

A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca. Drummond. Quando morrer, quero ter o privilégio de espiar até onde minha vidência é certa e onde foi que delirei. Não acredito em mim, prefiro confiar nos outros. E quem sabe? Queria ter o direito de me querer, nas minhas vontades indelicadas, repudiadas. Mas prefiro conter minha maldade, porque passa, se digerem. Porque se me render à fraqueza, que me resta? A inteligência mediana, a beleza mediana, a criatividade mediana? Amamos tudo isso, mas sei o que não toleram.

 

Drummond me alcança. Porque de longe, só muita literatura para eu lembrar

 

heartbeat

Porque eu sou do tamanho daquilo que sinto,

Posted in Uncategorized on Julho 20, 2009 by isisdesigner

que vejo e que faço, não do tamanho que as pessoas me enxergam.
Carlos Drummond de Andrade

Um dia sonhei que era flores num campo de coisas que crescem sozinhas e sem motivo. Elas não são mais bonitas nem mais feias porque não há ninguém que as veja e faça essa distinção. Eram flores quaisquer num campo de muito sol com espaço para quem deitasse desaparecer. Não eram mais fortes as cores nem mais túrgidas porque ninguém usava adubo especial, eram apenas as flores o sol a chuva. Uma vez havia alguém passando que recolhesse umas flores, mas não as uniu por especificação nem pegou as maiores, pegou um maço porque era visto que todas eram bonitas. As pequenas, as grandes, as pouco coloridas e as sem cor. Elas foras juntas não com papel especial e decorado nem com mais plantas que valorizassem aquelas mais bonitas, eram todas uma mistura de flores do campo presas apenas por uma fita rosa. Então eu era flores, eu era a caligrafia do pequeno cartão branco no envelope branco junto do ramo de flores do campo enroladas numa fita rosa. Eu perfumei e alegrei a vida de alguém por muitos dias, e morri. Morri porque tinha de morrer, porque tudo que é vivo morre, e flores tem vida prolongadamente curta.

Acordei depois de uns anos e era só um sonho.

My_Cup_O___Tea_by_pinkparis1233

Não quero ter a terrível limitação

Posted in Uncategorized on Julho 12, 2009 by isisdesigner

de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.
Clarice Lispector

Não consigo distingüir se meus pensamentos ocorreram quando deitei na cama, antes de adormecer, no meio da noite ou quando tentava acordar. Soaram como boas palavras, excelentes. Agora não sei se eram assim tão boas ou se me enganei.

Eu gosto do meu jeito gauche de ver as coisas. Nem tudo é reto, nem todo pão é pão e até o queijo pode enganar. Qualquer definição é simplista, só abro mão da minha liberdade de ser tudo quando é realmente necessário descrever ou quando a associação de palavras é poesia. O que não é passível de ser entendido, minhas variedades de sensações, os adjetivos antagônicos; quando o que deveria ser ruim eu não vejo mal, mas sinto de um jeito morbidamente curioso. Eu tenho uma alma voluptuosa das impressões alheias. Tudo é matéria de observação, tudo é humano.

E é nessa não-definição diáfana que eu vi uma coisa sem nome porque ainda não foi inventada pra mim. Eu incito e transpiro curiosidade. Às vezes vejo por dentro meus olhos brilhando grandes de indiscrição, inquietos por perguntar. Eu tateio sentimentos com alma de pintor ou escritor. Mais do que isso, com uma paixão de espectador. Eu atento a todos os detalhes com olhos sequiosos, imagino vozes que meus ouvidos nunca ouviram, procuro palavras que não dizem nada porque não existem. Não importa o quanto eu olhe, nunca vou enxergar com meus olhos o que outros olhos vêem.

writer   

Que medo alegre, o de te esperar.

Posted in Uncategorized on Julho 11, 2009 by isisdesigner

Clarice Lispector

Tenho medo de quando não sou, quando deixo que sejam por mim. Quero e não quero o limite flexível entre ser minhas intencionalidades e ser minha humanidade errônea. Nem eu me acostumo a mim, como os outros poderiam? Existe o mundo real, inexiste a realidade inventada, e entre os dois um muro em cima do qual se passa: ora caindo para um lado, ora se perdendo no outro. Eu sei lidar comigo, mas não com alheios. É insensibilidade minha não tolerar que ajam errado ao não gostarem de mim. A não gostar de mim, texto singular. Ou plural, sei lá. Não sei até onde alcança meu silêncio, mas há quem não diga por ter medo das conseqüências de suas intenções. Mundo quadrado esse, onde evitamos enfrentamentos. Eu não sei mais qual psicologia funciona, creio que evitar atritos seja a melhor. Mas eu odeio textos escusos. Escusos mesmo, iguais aos meus.

Termino isso mais tarde. Ou fica assim, inacab

love trees copia

Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas…

Posted in Uncategorized on Julho 7, 2009 by isisdesigner

continuarei a escrever
Clarice Lispector

Vou lançar um livro sobre relacionamentos. Não que eu saiba de alguma coisa, apenas continuam me procurando.

Drummond estava certo sobre o ano-novo. Parece que nossas engrenagens já estão programadas para rodarem ao mesmo tempo, desgastando e parando juntas: férias. Eu me arrasto, tu te arrastas, todos nos arrastamos nos fatídicos últimos dias. Eu não sei em que parte das horas deixei cair minha concentração, mas hoje não a vi.

Hoje retomei uns planos de futuro iniciados no passado. Ah, se meus cadernos falassem..! Diriam que não há tortas letras mais bem escritas. Que nenhum traço sem cor jamais foi tão preenchido de pretensões coloridas. Eles sempre tomam forma. Recheados de corações, padrões e papéis as folhas se completam, uma a uma. Meus segredos.

O tempo engana mesmo. Queremos correr e gastar pensando alcançar, quando em determinado ponto da corrida percebemos que o fim chegou rápido demais. As restrições da liberdade. Eu quero viver independente de, mas há coisas que não se pode ignorar. Hoje eu acordei sem sentido. Terapia: lápis-de-cor. Quando o mundo se desgasta dos prazeres eu recarrego as cores nos pensamentos distantes. Nas minhas receitas, nos dias de férias, na casa com plantinhas e uma estante. Passei da simples existência, quero o composto coexistir 

 

[ Ouvindo: Beautiful Dirty Rich ~ Lady Gaga ]

beautiful dirty rich

Quero a delícia

Posted in Uncategorized on Junho 25, 2009 by isisdesigner

de poder sentir as coisas mais simples
Manuel Bandeira

Ouvi dizer que a geração passada de estudantes era politizada. Engajada. Tinha uma mensagem a transmitir, e a sociedade respeitava. Hoje em dia o termo “alienados” anda mais difundido do que “pizza”, e a única coisa que eu ouço são críticas não construtivas. “Ninguém sai às ruas”. Desculpe, mas acho que “ninguém” inclui você. Posso estar errada, mas  que eu vejo são pessoas passando a bola. “Vocês são uns desinformados, agora mudem já e façam o que deve ser feito.” Quero saber aonde estão os exemplos. Eu não sei, alguém me explique, porque isso não tem feito muito sentido pra mim.  

A mesma rotina estudantil de sempre. O que posso dizer? Cada segundo em que eu não preciso pensar em notas é sorvido com impaciência. E prazer, claro. Do começo da aula até a hora do intervalo as notícias mudam. As provas podem se realizar em janeiro. Mudaram os tópicos. E tudo de que eu preciso é paciência..!

Junho tem esse ar especial. E agora, férias!