Esta é a vida

vista pela vida. Posso não ter sentido mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa.
Clarice Lispector

Pensei em deixar o fluxo correr. Pensei em derramar tudo em palavras. Pensei, pensei, pensei tanto, que desisti.
(Mas eu sou fraca, sou fraca sim, não consigo sorrir quando quero chorar. Não sei como ser aquilo de que precisam. Mas eu estou, eu sou, e também é só. Minha grande habilidade é a de sempre sofrer junto.)

Eu fico aflita de não me entender, como fico aflita com a intuição que sopra no meu ouvido e eu não sei da onde vem e nem como. Não gosto de não ter o controle, de estar à mercê, de não saber. Mas a vida é essa e se você pensa que sabe, se engana.

Não há como querer me limitar. Não há como entender. O que eu sou deixou de ser agora, para que uma coisa outra nasça. O que eu não gosto é que me tratem sem complexidade: eu não sou simples, eu não sou fácil, minha equação é ilimitada e minha resposta é relativa. Eu não sou o que ninguém quer que eu seja, a menos que eu me permita querer também. E eu gosto do proibido. Eu sou orgulhosa, sim, esse é meu perigo, mas até o meu orgulho serve à minha vontade maior. Eu não quero ter limites, mas nunca traio meus sentimentos. Trair a mim significa me perder pra sempre. E assim também deve ser a confiança com outros.   

Se eu não posso me explicar, seria especulação o que alguém tentasse. Impossível querer falar das minhas mudanças; elas são ariscas. E inevitáveis.

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