Desistir de um sonho
me faz matar um pedaço de mim.
Flávio Wetten
Hoje tive que escrever uma redação sobre a minha concepção de felicidade. Foi fria e ilógica, nada é perfeito.
Acho que somos mesmo uma tábula rasa, mas vou utilizar uma metáfora mais confortável: uma pedra bruta. Esculpidos ou lascados com as quedas somos o que somos, uma obra modificada continuamente por agentes externos. E o que criamos em nós? Aquilo que abraçamos como certo e usamos como colunas de nossos ideais? É a liberdade de acreditar no que você quiser. Góticas, barrocas ou gregas, seja lá o que for é aquilo que escolheu.
Ao amar minhas escolhas dei início ao funeral dos sonhos que nasceram delas. Já imaginaram acreditar em coisas extremamente inalcançáveis? É criar um órgão doente. Um dia ele morre, e você tem que substituir por outro. Será como antes? Ele vai sofrer rejeição? Dá pra comer no prato que se cuspiu? Afirmar que se é irrevogavelmente contra alguma coisa é pedir para que lhe mostrem que nem tudo é como imaginávamos que seria. Nunca fui dura. Só comigo mesma. Mas não aceitava para os outros certas coisas pois acreditava que havia possibilidade de ser diferente. Não há. Não quero que me digam o contrário, como eu já fiz um dia, não quero que me provem nem mostrem estudos nem nada. Eu não quero saber de nada, não quero pensar em mais nada. E assim se fecham os olhos, e assim cerra a imaginação, e assim se afogam as palavras, e assim dou o ponto final. Mas de tanto se por para dentro, um dia as palavras talvez voltem como vômito, independente da sua vontade, trazendo desconforto e desespero que parecem não ter fim, até que você se sinta aliviado… ou não.
Mataram um pedaço de mim. Era uma linda parte, mas muito besta. Era uma coisa que me trazia felicidade como o cheiro de uma caixa de lápis-de-cor ou a sensação de se cortar um pedaço de cartolina com uma tesoura. Era algo que fazia eu me sentir especial, como se os meus olhos vissem o que a maioria ignorava. Mataram em mim uma espécie de esperança, algo bobo que fazia eu permanecer em pé sem que eu notasse. Agora percebi que isso me faz falta. Não ligava que fosse boba, eu gostava dela. Mas devemos apesar de, disse Clarice.
Há alguém que quando está perto me faz esquecer dessa parte perdida, como uma droga anestesiante. Mas quando ele se afasta a dor volta. Enquanto não se preencher esse buraco vivo assim, não só viciada como melancolicamente necessitada de sua presença. Que não se fatigue nesse meu momento de fraqueza, porque passada a recuperação prometo voltar ao meu vício controlado. Tolere minha dependência solitária só enquanto me recobro…
Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.
Outubro 16, 2009 às 5:08 pm
hey, finalmente hein? estavamos apreensivos, pelo menos eu xD
agora eu coloquei seu blog junto com vários outros sites como primeira pagina, e ela me diz se tem algo de novo em cada site que aparece
então é assim que vim aqui hoje
uma redação sobre felicidade? difícil. Acho que é uma daquelas coisas que vc sabe quando tem ou nao tem, mas não sabe definir direito. Vária muito. Vc pode ser feliz porque encontrou com alguém, vc pode ser feliz porque ganhou algo que queria, são tantas coisas.
Não sei se é certo enterrar sonhos. Vc pode ver que os sonhos não são tão bons como vc pensava, mas isso é só depois, as circunstancias que mudam e dizem se eles vão ou não acontecer. Eu estou fazendo sonhos desde algum tempo, e as vezes eu sou tentado a esquece-los, mas o prazer de te-los é maior.
Verdade, a vida é bem diferente do que imaginamos que seja. É impossivel, talvez, saber como ela realmente é. Cada um de nós carrega um “segredo”, um aspecto da vida verdadeira. Não sei se haja alguém que tenha visto tudo de ruim que ela tem a oferecer, mas sei que cada vez que fico mais velho, mais é revelado.
Por que se recusas a aprender? precisas de sabedoria para viver, se recusares receber conhecimento, ai sim que sua vida fica ruim. Qual é a melhor vida: a daquele que busca a felicidade e conhecimento e talvez nunca acha ou daquele que desistiu e entrou em depressão? É, parece que c sabe a resposta, não tinha lido a parte sobre o vômito.
Qual é a parte que é de Clarice? existem aspas para isso xD
é o paragrafo inteiro?
gosto do seu modo de pensar, mas não espera que tudo venha até vc
ماعأس سلاما
Outubro 17, 2009 às 1:01 am
A parte de Clarice é: “devemos viver apesar de”. Procure o texto na íntegra, acho que o nome do livro é “Aprendendo a viver”.
“Uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente.”
Outubro 17, 2009 às 9:39 am
Ah, não tinha certeza se o paragrafo era dela, agora posso comentar o que eu deixei de comentar: gostei como as coisas que te fazem feliz estão relacionadas a trabalhos manuais, que vc gosta. Sempre é bom saber que algo simples pode fazer alguém feliz.
Outubro 19, 2009 às 8:05 pm
Foi estranho… Acho que foi o primeiro texto que durante a leitura senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago, bem real. Até de mais…
Acho que… não, não acho nada. Fiquei um tempo pensando no que escrever. Falhei.
Do pouco que vivi e convivi, percebi que não sei muita coisa, quase nada para falar a verdade. Vivo num mundo idealizado onde os lápis de cor são sempre novos e a cartolina se estende até o horizonte. As vezes acho que minhas dores são apenas arranhões, sabe… comparativamente falando, de ter tropeçado e por isso não dou muita importância para elas.
Mas acho que, no final, cada um lida com suas dores de modos diferentes. As vezes outras pessoas nos ferem de forma irreversível, as vezes nos protegemos antes que isso aconteça, mas de que forma? Nos afastando… nos escondendo… arrancando aquele órgão antes que alguém o faça…
As vezes nos achamos pequenos para certas ações, ou indígnos. Tomar a inciativa. As vezes a tomamos e nos estrepamos. Odeio a expressão “as vezes” tanto quanto odeio a palavra “se”. Invariabilidade do tempo que nos permite ponderar a respeito de coisas que podem ou poderiam acontecer…
Já deve ter percebido que não estou falando coisa com coisa… Não pretendia tentar opinar, nem aconselhar… Não me acho capaz de.
Perdi mais um tempo pensando no que escrever. E fica por aqui mesmo.