quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios
Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doloridos
Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz
Charles Chaplin
Um paradoxo não é só um recurso estético afinal, ele existe de verdade. Podemos nos sentir tristes e felizes ao mesmo tempo. Eu agradeço por ter encontrado aquilo que no subconsciente eu deveria saber que precisava. Uma conversa que meus amigos não poderiam me dar com essa franqueza, com a verdade que eles desconheceriam ou diriam a mim cheios de eufemismos. Não sei se foi essa a sua intenção, se foi seu jeito ou a imparcialidade com que se fala a um quase desconhecido. Seja lá o que for, agradeço incomensuravelmente mesmo assim.
De uns tempos pra cá vivo desmitificando minhas intenções, revelando a mim mesma o que verdadeiramente está por dentro. Mas há assim situações tão complexas que uma bruma cobre meus olhos e não tenho forças para ir de encontro àquilo que meu coração se rejeita e se defende. Que tragédia é saber que você está tentando se enganar para sofrer menos. Melhor seria encarar tudo de uma vez, reconhecer as coisas como são, dar a cara a tapa(num conflito entre eu e eu), e depois da ressaca o mar voltar a ser calmo. Com uma cor diferente, talvez um verde-escuro, mas depois de dias cinzentos sempre aguardamos o dia em que o sol vai voltar.
Mas essa verdade que talvez ferisse meu orgulho e minha tentativa de me privar de sofrimento não foi assim tão dolorosa. Trouxe tranqüilidade. Fez eu esquecer de coisas ruins que poderia ter feito a outras pessoas. Lavou meus olhos de que a realidade, apesar de seca e dessaborosa pode ser mais calma e menos traumática na relação eu e os outros. Me sinto apática, mas uma indiferença de um dia nublado. Sem arco-íris, mas também sem trovões. Só de me deparar com a verdade já me sinto menos agitada. E menos assassina.
O que vem agora eu não sei. Mas me sinto num hiato.





