She.

Postado em Uncategorized em novembro 24, 2011 por isisdesigner

…e não só o pavor no olhar mas as mãos trêmulas, ela não o olhava mas sim para as mãos, então ele segurou seus pulsos e a beijou firme, porque delicadeza não a traria de volta.

Sua respiração oscilava entre a esquerda e a direta do peito mas apertado, o ar mal entrava e já saía como fio de nuvem, e ela não sabia por que mas aquilo começava a incomodar, talvez o número de pessoas à sua volta nessa metrópole, talvez o fato de que não havia comido hoje.
Havia algo imenso, sim, ela podia sentir. Vinha como uma grande onda que engolia, triturava, e a cuspia de volta na areia como se nada tivesse acontecido. Ela tinha vontade de chorar. Mas o mar sempre se acalmava. O que acontecia, isto é, os fatos, as crises vinham mais fortes e constantes. Os intervalos. É preciso descer, é preciso respirar, é preciso fazer uso dos pontos finais mas sua vida é uma vírgula atrás da outra, e ela pensa que vai morrer. É uma intensidade sufocante, e diz pra si, eu preciso, eu preciso disso. Mas amanhã não virá. Amanhã o mar vai estar calmo e veremos nosso reflexo nítido, não mais aquela confusão criadora. Mas eu preciso criar, pensa.
E ela sorri. Aqui, dentro dessa caixa. E odeia. Odeia que mexam tanto, odeia mas precisa disso, e assim passa a gostar. Mas odeia que sejam por aquelas palavras, se recusa a admitir que sejam aquelas palavras porque elas vem de perguntas que não tem respostas certas e é uma angústia viver com uma pergunta que não pode ser feita. É sim, tem medo de perguntar.

Tem medo de não durar. Ela. Você volta, se for embora? Eu não sei, responde. E diz pra ele, Se eu for embora e não voltar mais, você vai ser diferente?, Não, eu ainda vou estar o mesmo. Talvez ela precisasse que ele fosse diferente. Segunda pergunta sem resposta. Você gosta de mim hoje?, pergunta enquanto os dois olham o teto acima da cama. Depende de que dia é hoje, ele sorri. Eu amo esse sorriso. É como a morte. E como a morte também, difícil de explicar. Eu que sublinhava as frases nos livros, agora marco palavras dentro de mim.

It’s a funny thing, you know?
O tempo passa quadrado. Nessas ruas que não poderiam ser ruas quaisquer, já que cada rua é uma vida diferente. As ruas de Paris não são as ruas de Barcelona que, ai meu Deus, não são as ruas de Londres. Mas ela anda mais em algumas (às vezes as mesmas) ruas de Botafogo, mas hoje no Centro. Ela tem medo e não gosta de ninguém perto de si, e passa rápido. Muitas coisas irritam quando ela está assim, sensível. Na pele as feridas doem mais, no humor ela é tão calma e feliz que qualquer personalidade soberba torna propensa uma briga. Ela sente falta de pessoas que já morreram e ela nem conheceu, apenas o rosto e a voz. Mas ela sente como se estivessem ligadas. Os prédios são lindos, gostaria tanto de fotografá-los, olhando para cima disse.

Ela gosta de andar por essas ruas quando tem um rumo. É como se o fato de ter para onde ir a fizesse existir. Ter alguém para onde ir é pleno. Quando ela também é plena, pensa que pode não ter ninguém para onde ir. Talvez. Das janelas compridas ela vê a luz do Sol nas janelas dos prédios e nas árvores de folhas miúdas. Ela não pode sair porque espera por alguma burocracia. Seus joelhos doem, mas ela está calma. Não poder fazer nada é dar um tempo pra pensar no que quiser, sem culpa. E imaginar, ela adora imaginar. E sardas. E cheiro de bolo no forno. Às vezes ela se imagina fazendo peixes recheados de ervas e sobremesas fantabulosas na sua casa onde a cozinha é enorme. E ela faz isso por prazer, porque é bem sucedida no seu emprego e pode se dar o tempo de ter um hobbie. Seu marido sempre elogia, mas ele mesmo faz jantares românticos com direito a vinhos e velas e, por que não, massagem. Mas na verdade ela não sabe se quer casar. Já se passaram horas. Talvez minutos. Agora ela está morrendo de fome mas não pode sair, e prefere não pensar no que vai comer quando puder sair.

Sempre que fecha os olhos, ela o vê sentado numa cadeira tocando sua guitarra, olhando para os dedos. Seu cabelo, seus braços…

769. Só faltam 13 números.

Pois logo a mim,

Postado em Uncategorized em setembro 27, 2011 por isisdesigner

tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto – uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.
Clarice Lispector

Estou embriagada de vida. E de vida morro todos os dias.

Nariz gelado. Rosto corado, orelhas vermelhas, vento frio no cabelo. Brisa na nuca. Sopro quente na nuca. Sardas, franjas, unhas vermelhas curtas, pés embaixo do cobertor, edredon, sofá e travesseiro, cama. Cama filme chocolate vinho chuva no telhado escuro woody allen férias horas eternidades. Rosas enroladas no jornal, gotas de chuva na janela do trem, all star e calça jeans, filhotes, ossos. Música. Frutas, flores, cheiros, sol quente na grama, olhos, lindos olhos. Franja, lindos olhos, queixo, olhos fechados, voz, risada, sussurro. Whispering. Olhar de medo, olhar tímido, olhar de melancolia. Abraço. Livros não, O livro. Sorrir sozinha. Morrer de vida sozinha. Querer morrer de vida junto. Morrer num suspiro de felicidade à noite na varanda. Galocha na chuva. Borboleta solitária. Botas. Batom vermelho. Dor com doçura. Clarice. Tristeza. Chegada, partida, despedida, beijo na testa, beijo na orelha, beijo. Ca-ri-nho. Preto e branco, pôr-so-sol, estrelas, estrelas no campo, andar pela cidade, desconhecidos, café, manjericão, pimenta, cartas. Saudade. Nadar no mar. Andar descalço. Chorar. Ferir e curar. Implorar. Rir de doçura. Ver, tocar, cheirar. Aninhar. Rasgar. Vestir e despir. Pintar e borrar. Morder. Sumo escorrendo. Veneno. Veias, muitas veias. Transcender. Entender. E sem entender.

Amor.

 

“A esperança era o meu pecado maior.”

Ah, e dizer que isto vai acabar,

Postado em Uncategorized em abril 3, 2011 por isisdesigner

que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja.
Clarice Lispector

Há quanto tempo eu não escrevo.
Há quanto tempo eu não leio.

Tem dias que eu me esforço pra fazer da vida uma loucura. Uma brincadeira, um faz de conta que é, umas verdades inventadas. Eu tento enganar o tempo inventando aventuras breves e criando infinitos pra amanhã não chegar, porque a rotina às vezes fadiga, e ao invés de viver eu tolero. Eu vou tolerando meus desprazeres e maquiando meus dias para que fiquem lindos e arrumados e eu mesma me maquio, tentando acreditar que todo dia pode ser uma festa.

Mas a festa sempre acaba, e sou eu que arrumo a bagunça.

Hoje à noite eu queria uma fantasia, um pedaço de sonho e de nuvem como num filme, como num romance, uma história que contam pra gente dormir. Poderiam até me contar uma história pra dormir.  Mas hoje eu não tenho esse acalento. A forma de amor que me aquece agora é um prato de comida caseira que me faz feliz e agradecer, mas eu sou ambiciosa e queria algo mais. Pra ser específica, queria uma surpresa. Clichê é o que se repete com freqüência, certo? Então um buquê de flores e uma caixa de bombons não são clichê pra mim.

Postado em Uncategorized em março 20, 2011 por isisdesigner

 

Se as patinhas do meu gatinho branco soubessem discar, ele me ligaria.
Se o meu gatinho branco soubesse falar, ele diria que está com saudades.
Quando eu chego em casa meu gatinho faz festa, ronrona e pede fazendo carinho.

(Meu gatinho preto tembém me ama tanto, mas ele é tímido e sério)

Sou um coração

Postado em Uncategorized em janeiro 26, 2011 por isisdesigner

batendo no mundo
Clarice Lispector

Venho aperfeiçoando a arte de ser dialética. Não é universal, é segundo meu próprio estilo, porque sei como ser clara e ser turva, e vocês acenam que sim mas nunca entendem tudo. Ao ouvir algumas pessoas, eu tenho a impressão de lê-las. Não é que eu seja boa, porque não sou, é que vocês, principalmente os homens, sabem ser mais diretos e práticos do que eu. Eu tenho um ouvido prático, mas também ouço o ruído das entrelinhas.

Eu estou faiscante. Em fagulhas. Mas sou pacífica, vou me cozinhando a fogo baixo e diluindo com água fria esses temperos picantes, mas sinto que meu tempo é cada vez menor. Um dia os aborrecimentos podem ser mais constantes do que os prazeres. Um dia eu posso cansar de me esforçar. Um dia eu posso desistir de fazer o melhor. Não é que eu faça o melhor. Eu tenho plena consciência de que sou irracional e irritante, mas dentro de mim os esforços e os desejos de fazer tudo certo são tão fortes que quando dá errado, o buraco é tão fundo que parece não ter fim. O mais importante não é ser perfeita. Mas eu sou insistentemente dedicada.

A minha forma de discutir parece cada vez mais madura, razoável. Eu sou ponderada, sei reconhecer meus erros, estou disposta a entender o outro lado. Sou quase adulta, né? Mas o cerne das minhas discussões é sempre infantil. Porque apesar de tudo eu ainda guardo um pedaço de um coração bom e burro, extremamente cego mas muito intuitivo. É natural que compensemos nossas deficiências.

Que as palavras que eu falo

Postado em Uncategorized em dezembro 6, 2010 por isisdesigner

não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.
Ferreira Gullar

“Escola, faculdade, tudo isso é como a própria matemática. Simples. Se você estuda, você passa. Mas com os relacionamentos não é assim. Infelizmente.”

Muita coisa me falaram nesse dia, mas foi só isso que ficou. Apesar de negar tudo que foi dito antes e depois, essa parte não dá pra dizer que não é verdade. Porque é a minha mentira. A gente acha que se der muito, mas muito mesmo, a gente é feliz. Ou é feito feliz. Engraçado como eu tinha preconceito com “a gente”, só tolerava “nós”, mas hoje sinto que a gente é o povo mesmo, é a gente. Entende?

Não sei por que acho que controlo as coisas, ainda mais assim, sem mexer. Eu faço coisas pensando que mudo, e às vezes mudo mesmo, é sutileza, mas não dá pra esperar que entre mil variáveis o resultado seja o que eu queria. Eu só monto as peças e deixo o jogo rolar. Bonita essa metáfora, hein?

Porque há

Postado em Uncategorized em outubro 13, 2010 por isisdesigner

o direito ao grito.
então eu grito.
Clarice Lispector

Eu demorei a gostar de mim. Não foi paixão à primeira vista. Que mérito se tem nisso? Eu te respondo que mérito se tem nisso. Meu amor foi construído devagar, depois de tantas vezes dizer que não amava um dia eu fui obrigada a ceder, eu me obriguei a olhar pra mim e a fazer eu gostar do que via. Não foi fácil. O mais difícil foi me manter nos momentos em que ninguém gostava de mim porque eu não gostava e assim não fazia ninguém gostar. Complicado, não? Mas valeu a pena. Aprendi a me amar tanto que não consigo imaginar um mundo sem mim – modéstia à parte. E o que acontece agora? Eu me ouço falar e começo a ter vergonha de mim. Sinto que não me respeitam, mas isso acontece sempre, é que hoje não estou forte pra ignorar. E hoje mesmo eu percebi que eu sou fechada e que eu sou forte sim, se eu ainda me amar e acreditar em mim eu sei que eu posso valorizar isso. Como foi que eu deixei as coisas chegarem nesse ponto? Há pouco tempo, há poucos meses eu tive tanto orgulho de mim que quis chorar, mas hoje eu choro porque deixei de ser tudo o que eu precisava. Deixei de equilibrar meu mundo em mim, deixei que a falta de alguma coisa de outro alguém me deixasse mais abalada do que deveria. E ninguém ganha nada com isso. É egoísta sim mas sem isso todo mundo perde. É uma montanha russa, é um desce e sobe constante, mas eu não me importo porque tenho alguém que, não importa o quão fundo esteja, sempre me faz subir e voltar pro alto. Mas essa depressão não é algo que desgasta? Às vezes passo minutos, horas, olhando pra nada e fazendo nada, só afundando em pensamentos negativos, e esse é meu calcanhar de Aquiles (um deles, porque tenho mais calcanhares do que um polvo [se polvos tivessem 8 calcanhares]). E é isso aí, que adianta dizer hoje se amanhã também vou ter vergonha e arrependimento por me sentir assim? Não importa amanhã. Aqui hoje é meu santuário.

Olhe,

Postado em Uncategorized em outubro 8, 2010 por isisdesigner

tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdôo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
Clarice Lispector

Não quero ser o que eu não sou. Logo eu, que nunca gostei dessa parte de mim. Mas tentar me mudar é pura rebeldia, tudo porque odeio esse embrulho no estômago que me dá às vezes. É tão ruim que me dá vontade de contorcer o rosto e morder a mão – doer mais do que já está doendo -  e nadar até a rebentação. Eu odeio esses ódios com sombra de inveja. E na verdade é sombra porque não sei se é mesmo inveja, eu fico tão zonza de querer parar de pensar que acabo não pensando mesmo (ou aumentando o volume). Como se não bastasse todo esse barulho vem aquele medo de arrependimento mas eu não me arrependo, eu levo dias tomando decisões porque eu não me arrependo, eu quero fazer sempre o que eu quero e aqui está algo que eu penso todos os dias: eu odeio ser mandada. Eu não gosto de proibições. Eu sempre cedo, mas não se você me provocar. É preciso muita calma e jeito com meu orgulho, porque ele é selvagem e nem eu consegui domá-lo. Eu tenho muito ímpeto mas também muita calma, eu mordo minha língua e engulo palavras mais do que digo. Venho me esforçando muito pra conversar comigo e não incomodar os outros, porque às vezes acabo até mais ferida: parece que o que eu digo não faz sentido e nem tem importância. Como é que pode se isso me magoa tanto? Eu sou um poço de sensibilidade e não queria, eu queria ser indiferente mas não consegui. Eu tentei mentir e não consegui. Eu tentei me enganar mas há coisas que pulsam independente das nossas vontades. Sou uma tirana que deseja intimamente que todos sejam iguais, e não há como! Não amaria ninguém que fosse parecido comigo. Dentro de mim eu nunca fui livre, e invejo tanto essa liberdade espontânea. Eu quero mas eu vivo sem fazer o que eu quero. É como se eu estivesse trabalhando mesmo quando estou em casa. Ninguém me conhece por inteiro porque eu me ponho rédeas e só converso às vezes comigo. Mas quando eu sou atravessada por essa felicidade sem motivo, quando eu abro a porta de manhã cedinho cantando e sentindo a umidade do céu cinza… Eu falo, eu falo, e sou feliz por não fazer sentido. Tudo, as coisas são simples e bonitas e de tão bonitas me fazem sangrar e correr e cantar e amar. Mas eu também sou rancor, eu sou doce mas sou amarga, eu sou vida mas também sou parte atrofia e até necrose. Não, acho que não é isso. Eu sou toda vida mas há vida que pulsa com agulhas, e toda vez que respira e se expande dói e dá tristeza. Mas eu amo, eu amo cada pedacinho tosco disso que eu sou, até os meus erros idiotas que eu odeio eu amo. Eu me odeio quanto tenho medo. Mas acho que continuo me amando mesmo assim. Até quando durar.

Não me prendo a nada que me defina.

Postado em Uncategorized em outubro 7, 2010 por isisdesigner

Sou companhia, mas posso ser solidão. tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato. Ou toca, ou não toca.
Clarice Lispector

Passo o dia inteiro escrevendo coisas na minha cabeça. Mas, diferente do papel, minha memória deixa tudo escapar antes de chegar à revisão.

Na última vez que estive na aula de História e Filosofia da Arte a professora disse algo que no momento eu não levei a sério, mas que agora passei a notar e confirmar: ninguém mais conversa. Não há diálogos. O que fazemos a todo momento é despejar monólogos, e ao invés de ouvir nós pensamos no que vamos falar quando o outro calar a boca. E não é isso?  Não sei. Tem mais! Escritores são pessoas frustradas, que ao serem ignoradas publicam livros na esperança de que alguém os ouça, finalmente. Disso eu sei.  

Dissertaria mais. Mas o tempo é escasso.

Esta é a vida

Postado em Uncategorized em setembro 23, 2010 por isisdesigner

vista pela vida. Posso não ter sentido mas é a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa.
Clarice Lispector

Pensei em deixar o fluxo correr. Pensei em derramar tudo em palavras. Pensei, pensei, pensei tanto, que desisti.
(Mas eu sou fraca, sou fraca sim, não consigo sorrir quando quero chorar. Não sei como ser aquilo de que precisam. Mas eu estou, eu sou, e também é só. Minha grande habilidade é a de sempre sofrer junto.)

Eu fico aflita de não me entender, como fico aflita com a intuição que sopra no meu ouvido e eu não sei da onde vem e nem como. Não gosto de não ter o controle, de estar à mercê, de não saber. Mas a vida é essa e se você pensa que sabe, se engana.

Não há como querer me limitar. Não há como entender. O que eu sou deixou de ser agora, para que uma coisa outra nasça. O que eu não gosto é que me tratem sem complexidade: eu não sou simples, eu não sou fácil, minha equação é ilimitada e minha resposta é relativa. Eu não sou o que ninguém quer que eu seja, a menos que eu me permita querer também. E eu gosto do proibido. Eu sou orgulhosa, sim, esse é meu perigo, mas até o meu orgulho serve à minha vontade maior. Eu não quero ter limites, mas nunca traio meus sentimentos. Trair a mim significa me perder pra sempre. E assim também deve ser a confiança com outros.   

Se eu não posso me explicar, seria especulação o que alguém tentasse. Impossível querer falar das minhas mudanças; elas são ariscas. E inevitáveis.

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